Se você só vê Deus ou pensa que as coisas espirituais são a meditação, o louvor, jejum, ou quando está na igreja, fazendo “as coisas da igreja”, mas não O enxerga no seu dia a dia, no trabalho, na faculdade, ou quando está cuidando da casa ou dos filhos. Talvez o seu olhar esteja contaminado com uma visão pagã dualista. Deus não trabalha de forma dicotômica, ao criar as coisas Ele se alegrou e afirmou que sua criação era boa! Apreciar as coisas da terra é um exercício extremamente espiritual! Deus atribuiu beleza, dignidade e significado para o mundo e para o homem!!!

No Salmo 34.8 diz para provar e ver como o Senhor é bom! Quando você toma um bom café, ou aprecia um excelente livro, ou se emociona com uma bela música, você tem provado e visto como o Senhor é bom!

Se você começar a alinhar o seu coração à uma forma bíblica de interpretação da realidade (cosmovisão cristã) talvez você comece a perceber que Deus está e se faz presente em todos os momentos e lugares, no expediente de segunda à sexta do seu trabalho, ou na volta para casa naquele busão lotado, até no choro desesperador de um bebê, mas também no afago do filho no colo de sua mãe, no rango saboroso do jantar que só a mãe ou avó sabem fazer. Ele se faz presente nos tempos bons e ruins, nos dias ordinários e extraordinários.

Mas se você só o vê quando passa por situações adversas, ou reconhece o senhorio dEle quando está com problemas financeiros, cara… Tu está precisando mudar imediatamente a sua visão, porque não compreendeu ainda como se deve ver e viver o Evangelho!

Texto por: Priscila Shiotani

“Lave bem as mãos!”, “não saia de casa!”, “fique a um metro de distância das pessoas!”, “use luvas e máscaras!”. Essas e diversas outras têm sido as orientações que mais temos ouvido nesses últimos tempos. Estar em casa tem me lembrado de outro meio de comunicação um tanto esquecido por muitos e que agora tem falado bastante: o corpo. Sim, o corpo, um lugar sagrado onde o relacionamento acontece, onde, de fato, é o ponto de encontro entre o de “dentro” e o de “fora”. Lugar onde, nos dias atuais, tem quebrado as regras da física, pois mesmo parado está em constante movimento. Dentro de si, há tanto barulho, há tantos gritos mudos, tantas dúvidas e temores transformados em noites sem dormir, nostalgias, o que me faz repetir que, por mais parados que estejamos, nossos corpos se encarregam de apresentar o seu próprio discurso.  Estar em casa esses dias para muitos tem sido o tempo em que, de fato, as pessoas têm se encarado diante do espelho, e isso implica reorganizar, pensar o que é importante na vida, pensar no que realmente tem valor. Falar de corpo é falar de história. Mas como posso falar dessa história se ela ainda está em processo? Vai ficando claro que suposições erradas sobre Deus, levam-me a conclusões erradas sobre mim. Então para entender um pouco mais, preciso perguntar ao Criador dela. Aprendo que carrego em meu corpo uma identidade dita por Ele a mim. Resgatando essa relação com meu Criador, vou entendendo o que Jonathan Edwards quis dizer quando afirmou “raios dispersos, mas Ele é o Sol”, quando eu experimento qualquer razão, emoção, amor, graça, bondade, beleza ou poder reais num outro alguém ou algo, Ele é o sol que encontramos enquanto refletimos os raios da sua verdadeira Fonte. Ele pode moldar, expandir, iluminar e se desenvolver em nós de modos que nenhuma quantidade de dinheiro, poder, amores, impulsos ou qualquer outro objeto de adoração concebível o possa. Mesmo depois de tantas buscas, insisto em não desistir desse desafio chamado viver. Não me conformo em ser esse eterno paradoxo entre o real sentido do presente, sem deixar de esperar por um porvir imenso e infinito. Mesmo entorpecido pela rotina, tomo coragem para enfrentar meus próprios barulhos e meu vazio, entendendo que as respostas que tanto quero podem se tornar um convite a um novo olhar. 

Texto: Felipe Ramos