Nos dias de hoje a visão de mundo está baseada em uma cultura que valoriza principalmente o “status social”, baseada em uma vida de aparência apenas, sem sentido ou propósito e, ao mesmo tempo, em um anseio por viver com propósito. O número de seguidores em uma plataforma digital, como desejo que as pessoas me vejam, ou seja, a manipulação da minha imagem a fim de alimentar meu ego e mostrar uma vida “perfeita” que gostaria de viver, revelam uma insatisfação com a vida que tenho e a cobrança contínua por ser o que a sociedade expressa que eu seja, na busca por identidade e identificação.

Viver segundo o desejo do coração é o conselho bem intencionado que ouvimos em geral, porém o que a Palavra nos ensina é que somos muito vulneráveis ao engano, em Mt 24:4 diz: “Jesus respondeu: cuidado, que ninguém vos engane.”, em Jeremias 17:9 diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; […]”. O que nos mostra que só podemos evoluir em Cristo, entendendo quem Deus é através da renovação de nossa mente em uma busca intencional e uma cosmovisão bíblica, o que muda nosso sistema de vida, crendo em Jesus e que a Palavra dEle é inteiramente verdade e nela consta a verdade de quem Deus diz que eu sou, a partir disso ela se torna o fundamento de tudo que eu digo e faço. E, então, Deus nos capacita a andar no primeiro mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus com toda sua força, alma e entendimento”, vivendo o cristianismo na integralidade das nossas vidas em uma verdadeira espiritualidade, desconstruindo os limites da dualidade entre sagrado e secular, entendendo que o evangelho todo é para o homem todo e para todos os homens.

É comum que a nossa realidade viva (atual e que ainda há de vir) não coincida com a realidade morta da humanidade. Os nossos ideais, sonhos, trabalhos, as nossas ações, falas etc., não se encaixam na matéria, é algo que transcende. Quando trazemos os valores do Reino apresentados no sermão do monte para a nossa realidade temporal, vemos que algo está faltando. A vinda de Cristo, a união dos céus com a terra e a revelação do eterno findarão toda falta. 

Em meio a tudo isso, aprendi ainda criança que encontrava Deus na igreja nos cultos de final de semana apenas, e por muito tempo “o deixei lá”, como se Deus não fizesse parte da minha vida, mas morasse dentro de  quatro paredes de um templo construído por mãos humanas… Parece que Ele realmente não fazia parte da minha vida. Nessa visão dualista, vivia a angústia de estar com Ele e, ao mesmo tempo, acreditar que Ele não estava comigo fora do templo… A religiosidade tornou-se uma luta constante. 

Mas quando Deus é revelado através da manifestação de Cristo e sua obra de afeição em uma cruz, tira todo questionamento a cerca de uma cosmovisão cristã. Para que faça sentido é preciso conhecer O sentido. É em meio a maré de ideias não-bíblicas de nossa cultura que a nossa fé é transformada em obras e os nossos pés resistem firmes, pois nela não há “eu”, mas há “nós”. Nela há perdão, nela há não, nela há perfeição. Nela há salvação, há restituição, e redenção. Nela há o compartilhar de um corpo, impossível interpretação para a cosmovisão egocêntrica do mundo caído. Andar em uma vida de cosmovisão cristã é andar na clareza da fé, na qual tudo já foi feito perfeito e tudo já existe antes que houvesse. O Sol da Justiça brilha e se revela através de nós, mostrando cada vez mais que os Seus caminhos são os melhores a serem trilhados.  Coríntios 1:18 nos lembra que “a mensagem da cruz é loucura para os que estão sendo destruídos…, mas para os que estão sendo salvos, é poder de Deus.” 

Por Sua graça, conheci um Deus que é muito mais simples do que me ensinaram outrora, Ele se revelou em um dia comum, fora de um templo, e Ele está em uma mesa posta para receber amigos; Ele está em um momento de contemplação; nas mais diversas formas de expressão artística; Ele está nas profissões; na literatura; numa conversa entre um casal, no ensinamento de pai/mãe para filhos/filhas; está no esporte; na justiça social; na dignidade; e no templo também, mas especialmente no templo que Ele mesmo construiu, o coração daqueles que creem nEle…

Ele É e ESTÁ! Isso não lhe parece libertador? 

Texto por: Bell Meira e Gabriel Silvério

 

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