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A palavra escravo me parece mais bíblica. A Bíblia nos fala tanto de escravos nascidos em casa quanto feitos por causa de alguma derrota em guerra.

Toda pessoa dependente de algo ou alguém e que faz dele o seu braço forte é de alguma maneira escrava. A pergunta que precisamos responder ou fazer é por que algumas pessoas entram por esse caminho? Diferente do que alguns insistem em acreditar, os dependentes se tornaram assim.

Somos informados pela Bíblia que Deus nos criou a sua imagem e semelhança. Contudo, essa mesma Bíblia nos diz que homem e mulher resolveram quebrar a aliança com Ele e viver de maneira autônoma (auto – eu, nomia – lei). Ou seja, eles resolveram servir de lei mesmo para suas vidas.

Não precisamos ir longe nem fazer uma faculdade de psicologia para sabermos que há algo errado em nós e em todos ao nosso redor. As coisas são tão confusas que precisamos até de leis para nos proteger dos nossos semelhantes e até de nós mesmos.

Essa confusão não tem nada a ver com o que Deus criou, mas com a direção que resolvemos seguir. O uso de drogas e o uso errado que fazemos daquilo que não é droga, mas nós tratamos de transformá-la revelam o quanto somos seres nocivos.

Mesmo não tendo nada a ver com essa confusão que nos metemos, Deus resolveu nos salvar enviando seu único Filho para abrir um novo e vivo caminho de volta para casa. Afinal de contas todo dependente chegou a esse estado por buscar na criação uma satisfação e prazer que só pode ser encontrado exclusivamente em Deus.

O cristianismo bíblico não nega os efeitos trágicos que a dependência química causa no físico das pessoas. No entanto, como acreditamos que o ser humano é indivisível e que de maneira alguma ele pode ser compartimentalizado, o que está atingindo seu corpo está ao mesmo tempo tocando em todas as áreas de sua vida. Por isso, nossa prescrição vai direto ao coração de onde procedem as saídas da vida (Pv 4.23).

Com isso, entendemos ser necessário um tratamento integral visto ser o homem um ser integral. Começando por identificar os ídolos funcionais do coração a quem ele tem ofertado sua vida e conduzi-lo ao arrependimento por meio de uma clara exposição do evangelho poderoso de Deus. Observe que não estou propondo uma desintoxicação física e depois se der uma desintoxicação religiosa. Ou seja, tudo ao mesmo tempo. O evangelho todo para o homem todo.
Em Cristo sempre podemos ter esperança de sermos livres da escravidão da carne, diabo e mundo para nos tornarmos escravos da graça de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

 

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Começamos esse pequeno texto com trechos da crônica Nascer de Carlos Drummond de Andrade.

O filho já tinha nome, enxoval, brinquedo e destino traçado. Era João, como o pai, e como aconselhavam a devoção e a pobreza. Enxoval e brinquedo de pobre, comprados com a antecedência que caracteriza não os previdentes, mas os sonhadores. E destino, para não dizer profissão, era o de pedreiro, curial ambição do pai, que, embora na casa dos 30, trabalhava ainda de servente.
Tudo isso o menino tinha, mas não havia nascido.[…] Estas imaginações, ditas assim parecem sutis; não havia sutileza alguma em João e sua mulher:[…] João sentia-se forte, responsável. Escolhera o sexo e a profissão do filho; a mulher escolhera a Cor; um moreno claro, cabelo bem liso, olhos sinceros. Não havia nada de extraordinário no menino, era apenas a soma dos dois passada a limpo, com capricho.
Esperar tantos meses foi fácil.[…] A mulher de João acordou assustada, sentindo dores[…] Na maternidade não havia médico nem enfermeira que o temporal tinha retido longe. João perdera o dia de serviço e esperou determinado.[…] Entardecia, quando a porta se abriu e a enfermeira lhe disse que o parto fora complicado, mas agora tudo estava em ordem, a criança na incubadora. “Posso ver?” “Depois o senhor vê. Amanhã.”[…]. Voltaria domingo.[…] Domingo pela manhã, João se preparava para sair; Quando a ambulância silvou à porta, e dela desceu, amparada, a mulher de João. “O menino?” “Diz que morreu na incubadora, João.” “E era mesmo como a gente pensava moreninho, engraçado?” Ela baixou a cabeça. “Não sei João. Não vi. Eu estava passando mal, eles não me mostraram”. E o menino, que tinha sido tanto tempo, deixou de repente de ser.

Esse texto, nos leva a refletir sobre a vida, sobre quem somos ou a partir de quem somos.
O que é Ser(humano)?! A busca incessante pelo ser, aceito, incluído, amado, visto. Somos gerados sendo e quando nascemos continuamos sendo, não por quem somos, mas pelo que o outro quer que sejamos.
Diante disso, a caminhada se torna angustiante, sem sentido e prazer. E para tentar corresponder às expectativas que nos são colocadas, somos levados por uma coação interna a buscarmos em fontes (álcool, internet, comida, relacionamentos, drogas, sexo) o alívio para essa angustia de ser o que o outro espera que eu seja esquecendo-se de quem verdadeiramente somos.
Precisamos voltar a Criação, ao início de todas as coisas. O Criador, o próprio Deus com toda a Sua criatividade e amor criou a terra e fez um lindo Jardim chamado Éden (lugar de prazer, delícias) e criou o homem a Sua Imagem e Semelhança, escrito em Genesis 1:26 e 27.
Ao lembrarmos essa verdade de que já somos Imagem e Semelhança do Criador, a caminhada se torna leve e prazerosa, não mais uma busca incansável pelo Ser, ou por fontes que nos dão a sensação de que podemos Ser, mas o nosso coração sabe que o Criador ao nos gerar e nos conceber já dizia ao nosso respeito, e parafraseando um trecho escrito por Carlos Drummond de Andrade “ E o menino, que tinha sido tanto tempo, continuou a Ser”.