A Bíblia nos revela Deus e a sua vontade. Quanto mais nos aproximamos do conteúdo bíblico, mais tomamos consciência do quanto o Senhor é todo poderoso e nós frágeis e necessitados. Esquecer-se disso é sem dúvida alguma nocivo e, porque não dizer trágico.

Em que a nossa devocionalidade a Deus pode exercer algum tipo de influência em nosso autocuidado? Se partirmos do pressuposto que fomos criados por Deus e somos mantidos por Ele, obviamente tudo tem a ver com autocuidado. Um clássico exemplo é a obediência aos seus mandamentos. Por serem mandamentos perfeitos e restaurarem a alma, nossa submissão a eles é fonte de bem estar e saúde (Salmos 19.7).

Baseado na certeza de que devocionalidade produz autocuidado, eu quero te dar três conselhos:

  1. O primeiro tem a ver com uma leitura regular da Bíblia observando mais os indicativos do que os imperativos. Cada dia mais eu me preocupo com quem só lê a Bíblia em busca de saber o que fazer ou não em relação a sua própria vida. Para essas pessoas Jesus é apenas um coach motivacional. Eles não conseguem perceber que antes de Deus dizer o que eles tem que fazer Ele diz o que Ele já fez. Os dez mandamentos são um bom exemplo disso. Deus lhes informa que os tirou do Egito da casa da servidão antes de ordenar que o obedeçam. Este é um dos inúmeros exemplos onde os indicativos vem antes dos imperativos, afim de deixar claro que o que Deus faz sempre vem antes de suas ordens afim de que façamos algo.
  2. Em segundo, é para você deixar a Bíblia moldar sua mente. Precisamos levar a sério as palavras de Paulo quando ele orienta os irmãos de Roma a não se deixarem moldar pelos valores do mundo. O apóstolo sabia que nossos pés se dirigem exatamente para onde nossos corações creem. A crença é responsável pelo tom dos pensamentos e não o contrário. Não é por acaso que Deus nos dá um novo coração antes de nos dar uma nova vida. Renove a sua mente escondendo a Palavra de Deus em seu coração (Salmos 119.11).
  3. Em terceiro e último lugar, eu o convido a observar os inúmeros exemplos disponibilizados na revelação de Deus e seus finais. Alguém já disse que os inteligentes aprendem com os próprios erros e os sábios aprendem com o exemplo dos outros. Se você está pensando em adulterar, a Bíblia vai lhe fornecer inúmeros exemplos de tragédias pós-adultério. Se você está pensando em desprezar os seus irmãos e trilhar seu próprio caminho também encontrará registros diversos nas escrituras.

“…pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais – 1 Pedro 2:21

Além de exemplos diversos temos o próprio Cristo nos servindo de exemplo. Observe que Ele nos deixou o exemplo. A sua capacidade de suportar todas as provas se dava essencialmente por sua plena confiança no amor eterno do Pai. Que essa mesma verdade encontre- se continuamente ancorada em nossos corações. Na certeza que quanto maior a nossa devocionalidade maior será o nosso autocuidado. Afinal somos seu povo a quem Ele guia como seu próprio rebanho (Salmos 77.20).

 

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A lição mais preciosa que você deve aprender hoje é que seus recursos são limitados. Talvez essa não seja uma boa notícia, mas logo parecerá melhor. Permita-me explicar:

Francis Schaeffer começou a sua vida como pastor em 1938. Saiu do seminário e seguiu para pastorear uma igreja presbiteriana na cidade de Grove City, Pennsylvania. Schaeffer deu tudo de si no trabalho daquela igreja. Ele era energético e intenso. Alguns frutos foram vistos claramente, como o envolvimento de crianças – a igreja tinha quatro crianças matriculadas na escola dominical, mas se viu com 170 crianças na escola bíblica de férias! Schaeffer dormia tarde e acordava cedo, trabalhava sem folga, e era consumido pelo senso de dever e compromisso com o trabalho.

Talvez você veja isso como exemplar, mas algo estava errado.

Não demorou até que o organismo daquele pastor gritasse por socorro. Schaeffer entrou em colapso com esgotamento, e teve a dura prescrição do médico, limitando a sua jornada de trabalho, e determinando que ele estivesse na cama às 23 horas.

O mais curioso disso tudo é que muitos anos depois, Schaeffer analisaria esse período em conversa com o seu amigo Hans Rookmaaker.

Schaeffer contou que o seu excesso de trabalho se deu porque ele tinha uma teologia confusa da soberania de Deus e da sua responsabilidade. Naquela primeira experiência de ministério, Schaeffer achava que tudo dependia dele. E então usava os seus recursos indiscriminadamente, sempre querendo fazer mais e alcançar mais para garantir os resultados.

Talvez, em alguma outra proporção, esses sejamos nós.

Queremos garantir os resultados. Vivemos como se tudo dependesse de nós. E gastamos nossos recursos indiscriminadamente, sem perceber que o conceito de sustentabilidade primeiramente se aplica a nossa caminhada.

Nós devemos trabalhar muito, mas sem o peso da garantia última de nossas vidas. Usamos as máscaras bonitas da “responsabilidade” e “compromisso”, mas apenas estamos escondendo a feiura da arrogância e idolatria.

Quando aprendermos a confiar no Senhor, poderemos trabalhar no ritmo da graça, administrando os recursos que Deus nos tem dado para cultivar e descansar o terreno do nosso coração.

Quando entendermos que os resultados pertencem a Deus, estaremos prontos para ver os frutos surgindo, em toda a sua beleza, diante de nós.